Issue 1 | 1
st
January – 30
th
June 2020
Fascículo 1 | 1 de janeiro – 30 de junho 2020
XVI
VOLUME
UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA
e-ISSN 2183-4806
FREE | GRATUITO
Issue 1 | 1
st
January – 30
th
June 2020
Fascículo 1 | 1 de janeiro – 30 de junho 2020
XVI
VOLUME
UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA
e-ISSN 2183-4806
FREE | GRATUITO
PSIQUE | Volume XVI | Issue 1 | 1
st
January – 30
th
June 2020
Semiannual Publication. Scientic Journal of the Centre for Research in Psychology – CIP – from the Universidade
Autónoma de Lisboa – Luís de Camões.
PSIQUE is a scientic journal in Psychology published by the Centre for Psychology of the Universidade
Autónoma de Lisboa.
Since 2005, PSIQUE has been publishing original papers in the scientic eld of Psychology, in its
several elds of specialization, in open access and free of charge.
From 2018, it is a semi-annual journal publication from 1st January to 30th June and from 1st July to
31
st
December.
Aims and Scope
It is particularly aimed at psychology researchers, lecturers and students but also at general readers
who are interested in this eld of science.
Psique publishes advances in basic or applied psychological research of relevance for understanding
and improving the human condition in the world. Contributions from all elds of psychology addressing
new developments with innovative approaches are encouraged. Articles that (a) integrate perspectives
from dierent areas within psychology; (b) study the roles of physical, social and cultural domains in
human psychological processes; or (c) include psychological perspectives from dierent regions in the
world are particularly welcomed.
The journal publishes papers in Portuguese, Spanish, French and English.
Directory: Repositório Cientíco de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP).
Databases: Repositório Institucional da Universidade Autónoma de Lisboa (Camões).
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Fuente Academic (EBSCO Publishers).
PSIQUE | Volume XVI | Fascículo 1 | 1 de janeiro – 30 de junho 2020
Publicação semestral. Revista Cientíca do Centro de Investigação em Psicologia – CIP – da Universidade Autónoma
de Lisboa – Luís de Camões.
A Psique é uma revista cientíca em Psicologia, editada pelo Centro de Investigação em Psicologia da
Universidade Autónoma de Lisboa.
Desde 2005 publica artigos originais e comunicações na área cientíca da Psicologia, nos seus vários
domínios de especialização, de acesso livre e gratuito.
É um periódico semestral, a partir de 2018, com data de publicação de 1 de janeiro a 30 de junho e de
1 de julho a 31 de dezembro.
Âmbito e Objetivos
Dirige-se particularmente a investigadores, docentes e estudantes em Psicologia, mas também aos lei-
tores em geral que se interessem pelo conhecimento desta ciência.
A Psique publica avanços na investigação cientíca básica ou aplicada, em Psicologia, com relevância
para compreender e melhorar a condição humana no mundo. A Psique encoraja a submissão de con-
tribuições de todos os campos da Psicologia, produzindo novos desenvolvimentos cientícos, através
de abordagens inovadoras. Particularmente bem-vindos são os artigos que: (a) integram perspetivas de
diferentes áreas da Psicologia; (b) estudam o papel dos domínios físico, social e cultural nos processos
psicológicos humanos; ou (c) integram perspetivas psicológicas de diferentes regiões do mundo.
A revista aceita artigos em Português, Espanhol, Francês e Inglês.
Diretórios: Repositório Cientíco de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP).
Base de Dados: Repositório Institucional da Universidade Autónoma de Lisboa (Camões).
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DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XIV.1
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Title tulo: Psique
Site: https://cip.autonoma.pt/revista-psique/
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IT DEVELOPMENT DESENVOLVIMENTO INFORMÁTICO
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TABLE OF CONTENTS ÍNDICE
Editorial
José Magalhães 7
Caracterização do Burnout em Prossionais deSaúdeemPortugal: Um Artigo de Revisão
Burnout characterization in health professionals in Portugal: a review article
Nuno Álvaro Caneca Murcho, José Eusébio Palma Pacheco 8
Versão portuguesa da Impact of Event Scale – Revised (IES-R)
Portuguese version of the Impact of Event Scale – Revised (IES-R)
Cristina Perestrelo Vieira, Rui Paixão, José Tomás da Silva, Henrique Testa Vicente 24
Expressões de Microagressões Dirigidas a Mulheres no Contexto do Sistema de Saúde:
UmaAbordagemBaseada em Incidentes Críticos
Expressions of Microaggressions Against Women in the Healthcare Context:
A Critical Incident Approach
Elena Piccinelli, Sara Martinho, Christin-Melanie Vauclair 44
Relação entre Iniciativa de Crescimento Pessoal e Sintomatologia Depressiva: Um estudo exploratório
Relationship between personal growth initiative and depressive symptomatology: an exploratory study
Aline Barros Brutti, Manuel Joaquim Loureiro, Henrique Pereira, Samuel Monteiro,
Rosa Marina Afonso, GraçaEsgalhado 65
Author Instructions
Instruções aos Autores 80
Reviewers instructions
Instruções aos Revisores 85
7
PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVI • Issue Fascículo 1 • 1
st
january janeiro-30
th
june junho 2020
NOTA EDITORIAL
A presente edição da revista PSIQUE procurou manter e consolidar o rigor dos artigos publicados através
de uma sinergia sistemática entre editores e autores no sentido de corresponder por um lado, às expec-
tativas e necessidades dos leitores e, por outro, ao reforço da imagem e notoriedade da publicação. Esta
sinergia encontra-se traduzida nos temas ora publicados que abrangem áreas da Psicologia, pertinentes
e atuais, na Clínica, Saúde, Organizacional e Social. Assim, os artigos insertos, que integram algumas
destas áreas correspondem em termos de investigação ao estado global da Psicologia nas preocupações
da época atual.
De realçar que os artigos publicados foram avaliados, submetidos para revisão, analisados e ratificados
com base em critérios científicos tendo em linha de conta a multiplicidade dos temas, a sua interdiscipli-
naridade e o interesse psicológico transversal. Violência sobre mulheres em minorias sociais, a problema
do burnout nos profissionais da saúde, a adaptação para a população portuguesa de um instrumento para
avaliar os efeitos subjetivos do stresse e a relação entre o crescimento pessoal e a sintomatologia depres-
siva, são os enfoques dos artigos validados para esta edição.
A evidente imporncia dos temas e dos estudos empíricos dos artigos vão ao encontro dos principais
objetivos de uma publicação que pretende ser contributiva para os leitores interessados na abordagem
das ciências sociais sejam professores, investigadores ou alunos e procurando, igualmente, estimular a
investigação e a submissão de trabalhos.
Toda a equipa da PSIQUE, coordenação editorial, revisores e apoio, procura em cada edição através do
cumprimento dos prazos dos conteúdos e da aplicação escrupulosa dos critérios de validação justificar
os pressupostos do percurso para a indexação em que a revista se encontra.
Neste ano, particularmente severo e limitativo devido à pandemia da COVID-19, não é demais voltar a
sublinhar o empenho de toda a equipa com particular enfoque na coordenação e nos revisores que, com
elevada exigência e rigor, permitiram cumprir os prazos possíveis para dar realidade a mais um volume.
Foi necessário adaptar e ajustar procedimentos, na sua maioria em gestão remota, que se tornaram
exequíveis devido ao crer e querer dos envolvidos no papel crucial da revista no contexto académico
e no seu contributo para a Psicologia, enquanto ciência cada vez mais incontornável para o equilíbrio
individual, organizacional e social.
A toda a equipa da PSIQUE fica o elevado reconhecimento pelo cumprimento de mais esta edição.
Jo Magalhães
(Co-editor)
8
CARACTERIZAÇÃO DO BURNOUT EM PROFISSIONAIS
DESAÚDEEMPORTUGAL: UM ARTIGO DE REVISÃO
BURNOUT CHARACTERIZATION IN HEALTH PROFESSIONALS
IN PORTUGAL: A REVIEW ARTICLE
Nuno Álvaro Caneca Murcho
1
, José Eusébio Palma Pacheco
2
PSIQUE • EISSN 21834806 • VOLUME XVI • ISSUE FASCÍCULO 1
1
ST
JANUARY JANEIRO  30
TH
JUNE JUNHO 2020 PP. 823
DOI: https://doi.org/10.26619/2183-4806.XVI.1.4
Submited on May, 2019
Submetido em maio, 2019
Resumo
O objetivo desta pesquisa é contribuir para um melhor conhecimento da síndrome de bur-
nout nos profissionais de saúde em Portugal. É um estudo de revisão sistemática, sem metanálise,
da literatura publicada entre 2015 a 2019 sobre a problemática do burnout nestes profissionais,
a partir da consulta dos estudos publicados neste âmbito, disponíveis nas bases de dados DOAJ,
SciELO e RCAAP, baseado nos princípios da metodologia PRISMA, utilizando os descritores
Burnout” e “Burnout Syndrome. Os critérios de inclusão foram: serem estudos primários de tipo
descritivo e quantitativo relativos a esta síndrome, medida através do Maslach Burnout Inventory
(MBI); realizados com profissionais de saúde em Portugal entre 2015 a 2019; e apresentarem as
prevalências para esta síndrome. Concluímos que, apesar de a maioria de estes profissionais não
apresentarem burnout, uma prevalência de 30% desta síndrome nos mesmos, que é preocu-
pante, sendo maior para a exaustão emocional e para a eficácia profissional reduzida, embora
estes resultados não possam ser generalizados porque as amostras foram de conveniência, o que
é uma limitação encontrada. Sugere-se assim, a realização de estudos alargados, com utilização
de amostragens probabilísticas, visando também outros aspetos relacionados com a saúde men-
tal ocupacional nestes profissionais, designadamente a ansiedade e a depressão.
Palavras-Chave: Burnout, Profissionais de Saúde, Revisão Sistemática Sem Metanálise, Portugal.
Abstract
The objective of this research is to contribute for a better knowledge of the burnout syn-
drome in health professionals in Portugal. It is a systematic review without meta-analysis, of
1
Núcleo de Formação Profissional, Administração Regional de Saúde do Algarve, IP, Faro, Portugal. E-mail: nunalvaro@net-
cabo.pt
2
Escola Superior de Saúde, Universidade do Algarve, Faro, Portugal. E-mail: jpacheco@ualg.pt
9
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Nuno Álvaro Caneca Murcho, José Eusébio Palma Pacheco
the literature published between 2015 and 2019, about the problematic of burnout in these pro-
fessionals, from the consultation of published studies in this area, available in the databases
DOAJ, SciELO e RCAAP, based on the principles of the PRISMA methodology, using the descrip-
tors “Burnout” e “Burnout Syndrome. The inclusion criteria were: to be primary studies of a
descriptive and quantitative type related to this syndrome, measured through the Maslach Burn-
out Inventory (MBI); conducted with health professionals in Portugal between 2015 to 2019; and
which present the prevalences for burnout. We conclude that, although most of these profession-
als do not present burnout, there is a prevalence of 30% of this syndrome in the same profession-
als, which is worrying, being higher to the emotional exhaustion and to the reduced personal
efficacy, however these results cannot be generalized because convenience samples were used,
which is a limitation found. We propose the realization of extended studies, using probabilistic
sampling, also aiming other aspects related to occupational mental health of these professionals,
namely anxiety and depression.
Keywords: Burnout, Health Professionals, Systematic Review Without Meta-Analysis, Portugal.
A incidência da ndrome de burnout e o seu reconhecimento têm vindo a aumentar subs-
tancialmente nos últimos anos, como uma das consequências mais significativas do stresse labo-
ral, de acordo com os resultados de diversos estudos realizados em muitos países (International
Labour Organization [ILO], 2016).
Na verdade, esta síndrome tornou-se epidémica e transversal no mundo laboral, entre outras
razões pela perda do valor intrínseco do trabalho, a globalização da economia, a tecnologia, a
redistribuição do poder e da diminuição da responsabilidade social, e ao nível dos trabalhadores,
pelos sentimentos de sobrecarga, perda de controlo, de recompensa desadequada pelo trabalho
feito, de colapso da comunidade, de tratamento injusto e da existência de valores conflituantes
(ILO, 2016; Maslach, & Leiter, 1997).
O que levou a que, se inicialmente a maioria estudos incidiam em trabalhadores de servi-
ços humanos, nomeadamente nas profises assistenciais, como os profissionais de saúde, ou
professores, mais tarde vieram a abranger outro tipo de profissionais, como biblioterios, polí-
cias, militares, administradores, estudantes, informáticos, religiosos, entre outros (Maslach et al.,
2001; Treviño-Reyes et al., 2019). Deste modo, podemos dizer que desde que surgiu até aos nossos
dias, este conceito foi evoluindo, quer no que concerne às populações estudadas, como aos pró-
prios modelos explicativos deste construto (Treviño-Reyes et al., 2019).
Assim, e embora seja usual a literatura mencionar que foi Freudenberg em 1974, quem primeiro
descreveu esta síndrome, como sendo um estado de fadiga ou frustração surgido pela devoção a
uma causa, por uma forma de vida ou por uma relação que fracassou no que respeita à recompensa
esperada (Marôco et al., 2016; Maslach et al., 2001; Silva & Neto, 2018; Silva et al., 2016), contudo, há
referências de que já antes, em 1969, Bradley se tenha referido ao burnout, ao descrever as alterações
de atitudes e comportamentos de fadiga e desmotivação em polícias (Treviño-Reyes et al., 2019).
Fazendo uma breve resenha dos modelos explicativos deste constructo, podemos dizer que
genericamente, estes se podem classificar em modelos compreensivos, que englobam os mode-
los elaborados a partir da teorias sociocognitivas do Eu, de intercâmbio social e organizacional,
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Caracterização do Burnout em Profissionais deSaúdeemPortugal: Um Artigo de Revisão
e em modelos de processo, que englobam o modelo tridimensional do Inventário de Burnout de
Maslach (Maslach Burnout Inventory [MBI]), o modelo de Edelwich e Brodsky, o modelo de Price e
Murphy e o modelo de Gil Monte (Treviño-Reyes et al. 2019).
De qualquer forma, considerando que o modelo explicativo mais utilizado é o de Maslach e
Jackson (Maco et al., 2016), nomeadamente para explicar esta síndrome nos serviços humanos,
como é o caso dos serviços de saúde (Treviño-Reyes et al. 2019), e uma vez que a população alvo
deste estudo é constituída por profissionais de saúde, então será este o modelo que utilizaremos.
Este conceito foi aprofundado e desenvolvido por Maslach e colaboradores em 1984, definin-
do-o como umandrome multifatorial que surge nos trabalhadores, resultante do stresse ocupa-
cional crónico e prolongado, afetando principalmente aqueles profissionais que entram nas suas
carreiras com índices elevados de motivação, de envolvimento pessoal e de ideais, e que poste-
riormente se sentem frustrados por não conseguirem alcançar os objetivos que se haviam (ideal-
mente) traçado, sendo que é mais caraterística em indivíduos com profises onde existe intera-
ção/ajuda com ou tras pessoas (Maslach et al., 1996; Maslash & Leiter, 1997; Maslach et al., 2001).
Para estes autores, o burnout é constituído por três dimensões que são a exaustão emocional
(EE), que é dimensão central do burnout, refletindo a sua componente de stresse, a despersona-
lização ou cinismo (Cn), que se manifesta pelo distanciamento emocional para com os outros, o
qual surge como uma reação imediata à EE, e a reduzida realização pessoal ou eficácia profissio-
nal reduzida (EPR), (Maslach et al., 1996; Maslash & Leiter, 1997; Maslach et al., 2001).
A partir deste modelo, desenvolveram um instrumento de avaliação do burnout, anterior-
mente mencionado, que é o MBI, o qual foi originariamente desenhado para medir esta síndrome
nos profissionais de serviços humanos, passando mais tarde este instrumento a ser designado
como MBI – HSS (Human Services Survey, ou Avaliação de Serviços Humanos), e que rapidamente
se popularizou internacionalmente, sendo ainda hoje o instrumento de eleição utilizado no
diagnóstico deste problema nos profissionais destes servos, embora posteriormente Maslach
e colaboradores tenham desenvolvido outras duas versões, uma destinada a avaliar o burnout
em profissões de ensino e outra destinada a avaliar o burnout noutras profissões que não as que
trabalham em serviços humanos ou de ensino, que se designam respetivamente como MBI ES
(Educators Survey, ou Avaliação de Educadores) e MBI GS (General Survey, ou Avaliação Geral)
(Marôco et al., 2016, Maslach et al., 1996).
Na leitura dos resultados do MBI – HSS, considera-se que existe burnout quando os scores são
elevados para a EE e para o Cn e baixos para a EPR (Maslach et al., 1996).
A síndrome de burnout pode ocorrer quando uma desconexão entre a organização e o
indivíduo relacionada com algumas áreas principais da vida laboral, como os valores, justiça,
comunidade, recompensa, controlo e carga de trabalho, sendo frequentemente o resultado de
alguns fatores psicossociais como uma carga de trabalho elevada ou descontrolada (exigências
quantitativas e emocionais), ambiguidade de papéis, alterações organizacionais, baixa satisfa-
ção laboral e de realização pessoal, desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional, relações
pessoais pobres, baixo suporte no trabalho e violência no local de trabalho, incluindo o assédio
(Faria et al., 2019; ILO, 2016; Marôco et al., 2016).
Estandrome pode levar, se não for devidamente intervencionada, ao surgimento de alguns
sintomas como cefaleias, insónia, desordens do sono e do apetite, cansaço e irritabilidade, insta-
bilidade emocional e rigidez nas relações sociais, e em alguns casos, também está associada com
o consumo de substâncias psicotrópicas e alcoolismo, bem como à hipertensão arterial e enfarte
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Nuno Álvaro Caneca Murcho, José Eusébio Palma Pacheco
do miordio, e em casos mais graves ao suicídio, para além de se traduzir em termos organiza-
cionais, em baixa produtividade, absentismo e presenteísmo, erros e conflitos no trabalho (Faria
et al., 2019; ILO, 2016; Marôco et al., 2016).
Alguma da literatura consultada, menciona a associação de fatores sociodemográficos com
o burnout designadamente, o estado civil, as habilitões literárias a idade e o sexo, sendo men-
cionado que os indivíduos solteiros, com um maior grau de habilitações literárias e académicas,
mais jovens ou de sexo feminino, apresentam níveis mais elevados de burnout, e que os indi-
víduos de sexo feminino manifestam uma maior vulnerabilidade à EE e os indivíduos de sexo
masculino ao Cn (ILO, 2016; Marôco et al., 2016; Martins, 2017; Silva et al., 2015).
De referirmos ainda a este respeito, que a maior vulnerabilidade no sexo feminino à EE e no
sexo masculino ao Cn, pode estar relacionada com o facto de as mulheres responderem de forma
mais emotiva a situações de stresse laboral (Martins, 2017), e também de serem mais afetadas
pelos fatores psicossociais relacionados com o trabalho, como o duplo papel que desempenham
em casa e no trabalho ou os papéis de género e as influências das expetativas sociais (ILO, 2016),
em associação com fatores culturais, como a socialização e os estereótipos de papel de género,
levando a que os homens tenham uma maior tendência a reprimir os conflitos internos e a mani-
festação de sentimentos e emoções, e a apresentar estragias de gestão de coping mais focadas
no problema e na evitação, bem como na relação entre género e ocupação (e.g., profissões mas-
culinas e profissões femininas) (Houkes et al., 2011; Maslach et al., 2001).
Por outro lado, a maior vulnerabilidade dos indivíduos com maior grau de habilitações e mais
jovens, pode estar relacionada com os níveis e capacidade para gerir expetativas profissionais, as
quais são mais elevadas nos indivíduos com maior habilitação, os quais também eventualmente
poderão ter mais responsabilidades e níveis de stresse mais elevados, e mais jovens (ILO, 2016;
Martins, 2017; Maslach et al., 2001).
Considerado como um problema epidémico, esta síndrome apresenta uma maior prevalência
em alguns grupos profissionais, como os profissionais de saúde, e tem sido apontado como uma
das situações de doença profissional da área da saúde mental mais relevante nestes profissionais,
entre outros aspetos, devido ao contacto quotidiano com pessoas debilitadas/doentes, terem que
lidar com relações interpessoais tensas e hierárquicas nas instituões de saúde, e pela estrutura
do horário de trabalho (turnos com trabalho noturno) que podem contribuir para a sua sobre-
carga física, cognitiva e emocional, destacando-se a particular vulnera bilidade de enfermeiros e
médicos ao desenvolvimento de burnout (Marôco et al., 2016).
A este respeito ainda, de mencionarmos que a literatura tem apresentado prevalências para
o burnout global muito variadas, que no caso dos profissionais de saúde, nos estudos de base
amostral alargada mais recentes, se situa em valores que variam entre 4.1% a 47.8%, em Portugal
(Marôco et al., 2016; Reis, 2019) e 12% a 70% na Europa ((Reis, 2019; Sousa-Ferreira et al., 2017),
oque dificulta a comparação das diferentes prevalências, podendo ter relação com as diferenças
nos tamanhos nas amostras bem como das metodologia adotadas (Houkes et al., 2011).
O crescente interesse da comunidade científica sobre o burnout, tem levado à discussão
sobre a sua inclusão como doença nos sistemas de classificação nosológica internacionais como
a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) da
Organização Mundial de Saúde (OMS) ou o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações
Mentais (DSM) da Associação Americana de Psiquiatria (APA), embora a este respeito não tenha
havido ainda consenso, uma vez que para alguns autores esta síndrome é entendida como um
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Caracterização do Burnout em Profissionais deSaúdeemPortugal: Um Artigo de Revisão
fenómeno contínuo, que resulta de uma forma de angústia crónica que es relacionada com um
ambiente de trabalho altamente stressante, enquanto que para outros, é entendida de uma forma
dicomica, traduzindo-se numa condição médica (Martins, 2017).
De qualquer forma, a CID, na sua 11.ª versão, contempla esta síndrome, referindo que a
mesma é um fenómeno espefico exclusivamente do contexto ocupacional e não de outras áreas
da vida (OMS, 2019).
Deste modo, quisemos então saber qual a dimensão da problemática do burnout nos estudos
disponíveis realizados com esta população, entre outros, pelos seguintes motivos: pelo impacto
mediático, e mesmo político e social, que nos parece que a problemática do burnout tem, seja a
nível internacional como nacional, designadamente no que respeita aos seus efeitos e consequên-
cias para profissionais e organizações de saúde; pelo facto de constatarmos que existem inúmeros
estudos realizados sobre esta ndrome nestes profissionais, com amostras distintas, e mesmo dife-
rentes métodos e indicadores, não permitindo uma fácil caraterização global da prevalência deste
fenómeno nos profissionais de saúde a exercerem no sistema de saúde português; e por termos a
perceção, que poderão haver outros fatores que possam interferir nestes efeitos e consequências.
Nesse sentido, elaboramos esta revisão sistemática sem metanálise, a partir da revisão da
literatura publicada nos últimos cinco anos (entre 2015 e a 2019), disponível em bases de dados
de acesso livre, com o objetivo de procurar contribuir para um melhor conhecimento sobre o
burnout nos profissionais de saúde em Portugal.
Método
Para este estudo atendemos genericamente aos princípios da metodologia PRISMA (Prefer-
red Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses ou Principais Itens a Relatar para
Revisões Sistemáticas e Metanálises), os quais estabelecem que o processo de revisão deve ser
documentado de forma transparente em todas as partes, reproduzível e relatado claramente na
publicação final, assentando num conjuntonimo de itens baseados em evidências para relatar
em revisões sistemáticas e metanálises (Donato & Donato, 2019).
Para a pesquisa das referências bibliogficas a serem incluídas neste estudo, foram consulta-
das as seguintes bases de dados de acesso livre: Directory of Open Access Journals (DOAJ, https://
doaj.org/), Scientific Electronic Library Online (SciELO, https://scielo.org/) e Repositório Científico
de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP, http://projeto.rcaap.pt/).
A pesquisa foi feita a partir dos descritores “Burnout” e “Burnout Syndrome, o primeiro dos
quais, tem o mesmo significado em língua portuguesa e inglesa, tendo-se também utilizado como
restritor para o período de realização destes estudos, os últimos cinco anos, que corresponde ao
período compreendido entre 2015 e 2019.
Os critérios de inclusão e de exclusão que definimos foram os seguintes:
Critérios de inclusão estudos efetuados com profissionais de saúde em Portugal relativos
à síndrome de burnout, que tenham sido realizados no período compreendido entre 2015
e 2019 (cinco anos), que sejam estudos primários de tipo descritivo e quantitativo, que uti-
lizem como instrumento de medida o MBI e que apresentem a prevalência para esta sín-
drome nas amostras estudadas;
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PSIQUE • e-ISSN 2183-4806 • Volume XVI • Issue Fascículo 1 • 1
st
january janeiro-30
th
june junho 2020 pp. 8-23
Nuno Álvaro Caneca Murcho, José Eusébio Palma Pacheco
Critérios de exclusão o serem revisões de literatura ou estudos qualitativos, estudos
que não apresentem o indicador considerado, terem sido realizados fora deste período de
tempo, não serem realizados com profissionais de saúde em Portugal, serem realizados
com os mesmos grupos profissionais nos mesmos locais e nos mesmo períodos ou também
abrangerem os mesmos grupos profissionais e mesmo locais e períodos (para evitar repeti-
ção ou sobreposição das amostras), e que não sejam somente resumos (abstracts).
A partir dos critérios estabelecidos para a revisão bibliográfica, foram identificadas 767 refe-
rências (ou estudos), de acordo com os descritores definidos, das quais, se selecionaram 50 refe-
ncias para análise, que cumpriam os critérios de inclusão.
A partir das 50 referências selecionadas para alise, foram removidas 36, consideradas não
elegíveis, pela aplicão dos critérios de exclusão, nomeadamente os seguintes: serem estudos
qualitativos, terem sido realizados pelos mesmos autores com amostras dos mesmos locais nas
mesmas datas e não apresentarem as prevalências.
Assim foram apuradas para inclusão neste estudo 14 refencias (oito artigos, quatro dis-
sertações de mestrado, um projeto final de licenciatura e um poster em encontro científico), que
representam 1.83% do total das referências pesquisadas.
Todas estas referências são estudos primários, com um desenho metodológico de tipo quan-
titativo, transversal, descritivo e o procedimento de colheita de dados adotado foi pela aplicação
de um questionário autoadministrado em que uma das escalas aplicadas foi o MBI. Destas refe-
ncias, quatro são em inglês e as restantes em português.
De referir ainda, que nas fases de identificação e seleção, a pesquisa e seleção inicial das
referências a incluir neste estudo, foi feita pelos seus autores, e que as fases de elegibilidade e
inclusão das referências a serem analisadas, foram efetuadas por um painel independente de
dois jurados.
Para uma melhor compreensão desta metodologia, apresentamos seguidamente o fluxo-
grama da seleção das referências a estudar (vd. Figura 1).
Resultados
Conforme podemos observar na Tabela 1, a maioria dos estudos foi realizada com profissio-
nais dos Cuidados Primários de Saúde (CSP) ou incluíram profissionais desta área (n = 8 estudos),
e os grupos socioprofissionais estudados foram dicos, enfermeiros, fisioterapeutas, cnicos
de radiologia, assistentes técnicos (AT) e assistentes operacionais (AO), incidindo a maioria dos
estudos em médicos e enfermeiros (n = 8, para ambos, num total de 12 estudos em que estes estes
profissionais foram estudados). Os restantes grupos registam um estudo para cada, num total de
quatro estudos onde estes profissionais são participantes.
Em relação à dimensão das amostras, a média (M) é de 229.21 profissionais de saúde, com
um desvio-padrão (DP) de 151.76 profissionais, variando entre 23 (Silva, 2019) e 585 profissionais
(Pereira, Teixeira, Carvalho, & Herndez-Marrero, 2016), sendo de referir que todos os métodos
de amostragem destes estudos foram não probabilisticos por conveniência.